EMOL - Escola de Música do Orfeão de Leiria Conservatório de Artes
1. O Conservatório de Leiria
A EMOL, Escola de Música do Orfeão de Leiria, é um departamento do Orfeão de Leiria Conservatório de Artes.
É um Conservatório de Música privado, em nada distinto no que se refere a prerrogativas de ensino e concessão de diplomas das entidades com o mesmo nome «Conservatório» que são propriedade do Estado.
Tem actualmente uma Direcção Pedagógica liderada pelas professoras Sofia Rocha e Neuza Bettencourt.
Partir da pequena escolinha de música, orientada pelo Mestre Joaquim Lopes e depois pelo Mestre Manuel Vieira, que tinha sido o sonho do grande dirigente do Orfeão que foi José Neto, entretanto falecido, para uma escola com diversidade de instrumentos e disciplinas, susceptível de se habilitar à outorga por parte do Estado do paralelismo pedagógico, não foi tarefa fácil.
Todavia, constituía um dos objectivos da tríade programática defendida pela Direcção do Orfeão de Leiria eleita em 1983: desenvolvimento do ensino artístico; criação de infraestruturas; existência duma manifestação cultural de referência. A sua realização plena influenciou decisivamente o futuro cultural e cívico da região. O paralelismo pedagógico cuja materialização era essencial para se ministrar o ensino oficial da música veio a ser realidade em Julho de 1990. Neste processo a Direcção do Orfeão contou com inúmeros amigos por todo o lado e o empenho inexcedível da Directora Pedagógica, Dra. Ana Barbosa.
Nesta saga pela construção duma Escola de Música de sucesso, diversa e original, e até hoje, tiveram um papel único, além da professora Ana Barbosa, que teve ainda a assessoria da professora Dinorah Cruz, directores pedagógicos como os professores António e Dulce Neves, Filipa Menezes e Pedro Figueiredo, Paulo Lameiro, Rute Martins e Pedro Rocha, Hedisson Mota, Rita Mendes, António Cardo e Sandra Martins e, a colaboração de nomes sonantes da música em Portugal, como a pianista Carla Seixas.
A EMOL tem tido nos últimos anos lectivos cerca de 600 alunos e mais de 50 professores, na actual sede - cerca de 23 salas de aula, três estúdios de dança e um auditório com instalações adequadas. São prioridades actuais do seu Projecto Educativo o ensino pré-escolar e a formação profissional de todos os agentes educativos envolvidos na cadeia do ensino artístico.
Dotada de um Projecto Educativo que a distingue entre todos os conservatórios nacionais, ministra ao momento 23 cursos básicos e complementares: Acordeão, Canto, Clarinete, Contrabaixo de Cordas, Cravo, Fagote, Flauta de Bisel, Flauta Transversal, Formação Musical, Harpa, Oboé, Órgão, Percussão, Piano, Saxofone, Trombone, Trompa, Trompete, Tuba, Guitarra Clássica, Violeta, Violino e Violoncelo.
O primeiro nível de estudos na EMOL é o projecto Zero Cinco, com alunos a partir dos 0 meses de idade, onde a música é ministrada em paralelo com o movimento. Posteriormente os alunos podem optar por diversos regimes de matrícula, articulando ou não o ensino artístico com os seus estudos regulares.
Com um corpo docente altamente habilitado, e depois de inauguradas estas novas instalações em 1997, a Escola de Música do Orfeão de Leiria afirmou-se na região e no país com planos de estudo inovadores, e um amplo conjunto de actividades dinamizadoras da vida cultural na região.
2. A Música para Bebés
A base do projecto educativo tem assentado no «Berço», um projecto criado em 1996, aquando da Direcção Pedagógica do Professor Paulo Lameiro, e apostado na dinamização de aulas onde a pedagogia é orientada para bebés e crianças até aos 7 anos de idade, na sequência dos trabalhos da Professora Doutora Helena Rodrigues. O «Berço» deu lugar ao Projecto Zero Cinco, que tem como objectivo explorar e potenciar a aptidão musical bem como a coordenação motora de cada criança, preparando-a e encaminhando-a para os estudos formais.
Todas as estratégias pedagógicas são fundamentadas na Teoria da Aprendizagem Musical do Professor Edwin Gordon. Entende-se que a forma mais pertinente de encetar estratégias pedagógicas adequadas no ensino da música é compreender-se os mecanismos cognitivos por detrás do processo de aprendizagem. O Orfeão de Leiria Conservatório de Artes conta já com quase 15 anos de experiência neste campo, tendo sido a primeira instituição de ensino oficial a consolidar estas práticas, pelo que é objecto de visitas de estudo de instituições de ensino superior.
3. Concertos para bebés
Paralelamente, tem-se desenvolvido um conjunto de acções por todo o país, dirigido a um público mais amplo, designado por «Concertos para Bebés», que emanou naturalmente do trabalho dos professores e educadoras de infância que frequentaram os primeiros cursos do Orfeão vocacionados para a Música para Bebés. O sucesso destes «concertos», ampliado pelas cadeias de televisão nacionais, já se estendeu para além fronteiras, desde a Suécia até à Inglaterra. Tanto os «Concertos para Bebés» como o «Berço» e o seu sucedâneo natural Zero-Cinco, tiveram como responsáveis artísticos e pedagógicos o Professor Paulo Lameiro, o Professor Victor Gaspar (membro do núcleo de investigação da Universidade Nova de Lisboa, orientado pela Professora Doutora Helena Rodrigues, discípula directa do Professor Edwin Gordon)e actualmente a Professora Sandra Perpétuo, tendo contado com a colaboração da Câmara Municipal de Leiria e das Educadoras de Infância do Núcleo de «Concertos para Bebés».
4. O ensino instrumental e o canto
O ensino instrumental abrange todo o leque de instrumentos reconhecidos pelo ensino oficial até aos instrumentos tradicionais portugueses. O canto é também uma das áreas de eleição.
A qualidade do trabalho pedagógico desta instituição é reconhecida em todo o país, e verifica-se objectivamente através da quantidade de alunos e ex-alunos admitidos no ensino superior nacional e estrangeiro, com currícula e percursos artísticos notáveis.
A aposta nos agrupamentos instrumentais e ensembles tem dinamizado não só a escola de música mas a vida cultural da região. Destaca-se a qualidade da nossa Orquestra de Sopros dirigida pelo Maestro Luis Casalinho, o Coro de Câmara dirigido pelo Maestro Pedro Miguel, a classe de Improvisação com o Prof. Pedro Rocha, o Coro infanto-juvenil, a debutar, dirigido por Rita Pereira e Mário Nascimento, bem como as variadíssimas classes de conjunto em funcionamento.
A Orquestra Barroca de Leiria, com direcção artística do Maestro António Ramos, foi outro dos projectos desta Instituição, em parceria com a Câmara Municipal de Leiria e com o Instituto Politécnico de Leiria, que serviu de estímulo à Orquestra Sinfónica do Orfeão recém criada.
5. O Jazz
Também o Jazz foi uma das áreas deste Conservatório de Música. Tratou-se de uma inovação pedagógica na medida em que foi o único Conservatório do país onde foi possível articular a vertente clássica com a vertente jazz.
Para assegurar a qualidade de ensino nesta área foi estabelecido um protocolo com a Escola de Jazz do Hot Club de Portugal que ministra as disciplinas do Jazz. Esteve também em funcionamento um Atelier de Jazz e Música Improvisada com o contributo do reconhecido músico Carlos Barreto.
6. Viver a música com paixão
O facto de a EMOL ser parte duma instituição que funciona como o clássico «chapéu de chuva», onde a interactividade é uma questão de princípio - Festival de Música, Escola de Dança, Corais, Orquestras, incluindo a Filarmonia das Beiras onde muitos alunos têm debutado como grandes solistas -, confere-lhe um carácter praticamente único no país.
Entende-se aqui que a «chave» para um percurso musical com sucesso, equilibrado e diverso - metodologias como Suzuki, para o ensino do violino, bem como as de Orff, entre outras, asseguram um espectro amplo de oportunidades de aprendizagem -, passa não só pelas condições pedagógicas e infraestruturais adequadas, mas acima de tudo pela criação de uma envolvência musical, dum elevado espírito de exigência interior, de motivação, de fomento e germinação do bom ambiente entre dirigentes e funcionários, professores e alunos, do favorecimento das relações interpessoais e de grupo e no aprender a «viver» a música com paixão e alegria.
É com este espírito que se trabalha no Orfeão de Leiria Conservatório de Artes.
Janeiro de 2010
