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“Requiem Alemão de Brahms”

Coro e Orquestras DeCA/UA & Orquestra Filarmonia das Beiras

A 3 de abril de 1897 morre em Viena, a dois meses de completar 64 anos, um dos compositores mais representativos da música romântica alemã, considerado por importantes figuras desse período o natural sucessor de Beethoven. Johannes Brahms deixa à humanidade uma vasta obra que inclui sinfonias, concertos, música de câmara e para o piano, canções e um conjunto de obras para coro, tanto a capella, como com acompanhamento ao piano ou instrumental, das quais sobressai Ein Deutsches Requiem, que se tornará, por diversas razões, a mais emblemática obra do género nesse período pois estabelece, como veremos adiante, um contraponto com a tradição do Requiem latino.
A génese do Requiem Alemão não é consensual entre os estudiosos do compositor, mas tudo aponta para que o ponto de partida para a sua composição tenha sido a trágica morte do seu benfeitor e devotado amigo Robert Schumann em 1856, que muito afetou o compositor, e o próprio nome dado à obra, Ein Deutsches Requiem, aparece registado no caderno de projetos que Schumann deixou, neste caso com breves indicações para uma possível obra que teria a intenção de vir a compor.
Tal como outras obras de maiores dimensões, como as sinfonias e os concertos, também o Requiem foi sendo composto ao longo de um largo período de tempo, sendo provável que a sua composição se tenha iniciado ainda no final dos anos 50 do séc. XIX ou nos primeiros anos da década de 60, atingido a sua versão definitiva só em 1869. Em 1864 Brahms enviou a Clara Schumann um esboço do que viria a ser o 4º andamento e nos anos seguintes terá concluído o 1º, 2º e 3º.
Em dezembro de 1867 foi realizada, sem grande sucesso, uma apresentação dos três primeiros andamentos no Vienna Gesellschaft der Musikfreunde.Após alguma revisão da obra, o próprio Brahms dirigiu a sua estreia (ainda sem o 5º andamento) na Catedral de Bremen na Sexta-feira Santa, 10 de abril, de 1868 para cerca de 2000 pessoas. Nesse dia, aos 35 anos de idade, Brahms recebeu o primeiro reconhecimento público como verdadeiro compositor. Após este enorme sucesso, a obra foi apresenta nessa versão mais algumas vezes e o compositor viria a acrescentar mais um andamento, o 5º na versão final. Alguns autores afirmam que Brahms terá composto este andamento em memória da sua mãe, que tinha falecido já em 1854, e de quem o compositor era muito chegado. No ano seguinte, a 18 de fevereiro de 1869, foi finalmente estreada em Leipzig a versão definitiva da obra.
Do ponto de vista estritamente musical, é importante referir que a fase de composição do Requiem coincide também com o período em que Brahms mais se dedicou ao estudo da música antiga, nomeadamente de compositores como Schütz, Bach e Handel, cuja influência se pode encontrar na escrita coral deste último, no uso da fuga e do contraponto de Bach e, eventualmente, numa abordagem mais espiritual do primeiro. De facto, Schütz havia iniciado a tradição da composição das obras em língua alemã sobre a temática da morte com as suas Musikalische Exequiem em 1636 para as quais escolheu ele próprio os textos a partir da bíblia luterana alemã, tal como Brahms viria a fazer no seu Requiem. Exemplos posteriores podem ser encontrados na Cantata Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit, BWV 106 (Actus Tragicus) de Bach e na obra secular, baseada nos textos de Goethe Wilhelm Meister, do próprio Schumann, Requiem für Mignon.
A escolha do texto faz desta composição de Brahms uma obra singular. A sua conceção, fundada na tradição protestante, mais focada na consolação dos mortos e dos que sofrem com a morte, contrasta de alguma forma com a perspetiva presente no Requiem latino que atribui uma especial importância ao dia do juízo final em que todos serão julgados pelos seus atos terrenos.
Um aspeto interessante da arquitetura da obra reside na sua estrutura em espelho, em que o 1º e o último andamento partilham do mesmo material musical e a mesma mensagem de consolação, o 2º e o 6º são mais focados na imagem da morte, em que o carácter ansioso do 3º contrasta com a serenidade e a ideia de conforto do 5º, e em que 4º andamento, com o seu carácter doce sob o texto “Quão amáveis são as tuas moradas”, representa o centro da obra.

Data

9 de abril de 2022, 20:30:00

Local

Igreja do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha

Entrada

Entrada Gratuita, sujeita à lotação da sala

Programa

Johannes BRAHMS – Requiem Alemão, Op. 45

I. Selig sind, die da Leid tragen (Felizes os que sofrem)
Coro (Ziemlich langsam und mit Ausdruck)

II. Denn alles Fleisch, es ist wie Gras (Porque toda a carne é como a erva)
Coro (Langsam, marschmäßig - Un poco sostenuto - Allegro non troppo)

III. Herr, lehre doch mich (Senhor, ensina-me a compreender)
Barítono solo e Coro (Andante moderato)

IV. Wie lieblich sind Deine Wohnungen (Como são amáveis as Tuas moradas)
Coro (Mäßig bewegt)

V. Ihr habt nun Traurigkeit (Agora estáis tristes)
Soprano solo e Coro (Langsam)

VI. Denn wir haben hie keine bleibende Satt (Aqui não temos uma morada permanente)
Barítono solo e Coro (Andante - Vivace - Allegro)

VII. Selig sind die Toten, die in dem Herrn sterben (Felizes os mortos)
Coro (Feierlich)


Biografia

Orquestra Filarmonia das Beiras
Coro e Orquestras do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro
Isabel Alcobia, soprano
Eduardo Portugal, barítono
António Vassalo Lourenço, direção

A Orquestra Filarmonia das Beiras (OFB) deu o seu primeiro concerto no dia 15 de Dezembro de 1997, sob a direção de Fernando Eldoro, seu primeiro diretor artístico. Criada no âmbito de um programa governamental para a constituição de uma rede de orquestras regionais, tem como fundadores diversas instituições e municípios da região das beiras, associados da Associação Musical das Beiras, que tutela a orquestra.
A OFB é composta por 31 músicos de cordas, sopros e percussão de diversas nacionalidades, com uma média etária jovem e é, desde 1999, dirigida artisticamente pelo Maestro António Vassalo Lourenço. Norteada por princípios de promoção e desenvolvimento da cultura musical, através de ações de captação, formação e fidelização de públicos e de apoio na formação profissionalizante de jovens músicos, democratizando e descentralizando a oferta cultural, a OFB tem dado inúmeros concertos, além de desenvolver frequentes e constantes atividades pedagógicas (programas pedagógicos infanto-juvenis, cursos internacionais vocais, instrumentais e de direção de orquestra, etc.). Também sob estes princípios, apresenta, desde 2006, produções de ópera diversas (infantil, de repertório ou portuguesa).
A OFB tem participado nos principais festivais de música do país e do estrangeiro, ou em importantes cooperações e co-produções com outros organismos artísticos, sendo regularmente dirigida por alguns maestros estrangeiros e pelos mais conceituados maestros em atividade em Portugal e tem colaborado com músicos de grande prestígio nacional e internacional. Simultaneamente, tem procurado dar oportunidade à nova geração de músicos portugueses, sejam eles maestros, instrumentistas ou cantores. Do repertório da OFB constam obras que vão desde o Século XVII ao Século XXI, tendo a Direção Artística dado particular importância à interpretação de música portuguesa, quer ao nível da recuperação do património musical, quer à execução de obras dos principais compositores do século XX e XXI.
Estrutura Financiada pelo Ministério da Cultura / Direção-Geral das Artes

ISABEL ALCOBIA | SOPRANO
Isabel Alcobia iniciou os seus estudos de canto no Conservatório Nacional de Música de Lisboa com Filomena Amaro. Diplomou-se, como bolseira do governo espanhol, na Escola Superior de Canto de Madrid com Marimi del Pozo. Já como bolseira do Ministério da Cultura, concluiu o mestrado na Universidade de Cincinnati (EUA) com Barbara Honn.
Desenvolve intensa atividade solística, tendo participado em diversos espetáculos em Portugal e no Estrangeiro, tais como a ópera “Amor de Perdição”, a convite do Teatro Nacional São Carlos (com representações em Lisboa e Bruxelas no âmbito da Europália), "Auto Del Lirio y de la Azucena," de José Peyro no Museu del Prado em Madrid, “Naufrágios e Milagres” de José Alberto Gil, onde interpretou o papel principal no Centro Cultural de Belém, para o Festival dos 100 Dias. Realizou um recital a solo com o pianista Francisco Sassetti e um concerto dirigido pelo Maestro John Leman no Teatro Camões (dia dos EUA), integrados na Expo’98. Foi selecionada para interpretar Gilda (“Rigoletto” de Verdi) no Festival de Ópera da Cidade de Lucca, em Itália. No domínio da Ópera destacam-se, ainda, as interpretações de Euridice (Orfeo), Pamina (A Flauta Mágica), Adele (O Morcego), Musetta (La Bohème), Giannetta (O Elixir do Amor), Norina (D.Pasquale), Julieta (Romeu e Julieta), Gilda (Rigoletto) e Isabel (Floresta) de Eurico Carrapatoso. Dedica parte da sua carreira à divulgação da música portuguesa, tendo estreado um ciclo de canções para soprano, trompa, piano e Orquestra de Eurico Carrapatoso e a obra “Aver-A-Ria” do mesmo compositor. Para além dos concertos com diversas orquestras por todo o país, onde se incluem a interpretação de obras como “Carmina Burana”, “Requiem” de Mozart e “9ª Sinfonia” de Beethoven, realiza, com regularidade, gravações para a RTP, RDP e RTP Açores. Obteve diversos prémios em concursos de canto, sendo de salientar o 1.º prémio no concurso de canto em "Cleveland International Einsteddfod" (Inglaterra) e no concurso "Three Arts scholarship" (U.S.A). Recentemente, atuou no Coliseu do Porto ao lado de José Carreras num espetáculo transmitido em direto pela RTP. Na sequência desta atuação realizou, a convite deste prestigiado tenor, um concerto onde interpretaram árias e duetos de Ópera e Zarzuela. No campo da pedagogia, tem realizado várias master classes a convite de Universidades e Conservatórios Portugueses. É, desde 1998, docente do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro e menbro do INET-md.

EDUARDO PORTUGAL | BARÍTONO
Eduardo Portugal iniciou os seus estudos de canto no Conservatório Regional de Gaia, licenciado em música, na variante Canto.
Têm-se afirmado aos poucos no campo da Ópera com papéis como Sacerdote na Flauta mágica de W.A.Mozart, Doutor Miracle na Ópera Os Contos de Hoffmann de Jacques Offenbach ,Guglielmo em Cosi fan tutte de W.A.Mozart e Bandido na Ópera A Floresta de Eurico Carrapatoso .
No domínio da oratória participou como solista na cantata Num Komm der Heiden Heiland BWV 61, “Darzu ist erschienen der Sohn Gottes” BWV Nº40, Paixão segundo S. João e Magnificat de J. S. Bach, Via Crucis de Franz Liszt, Oratória de Natal Op.12 de Saint-Saens e Messa di Glória de Puccini. Teve a oportunidade, ao longo do seu trajeto, de trabalhar com Fernanda Correia, Pedro Telles, Rui Taveira, Pierre Mak, Isabel Alcobia, Margarida Natividade e Helen Lawson.
No decorrer do seu percurso cantou sob a direção de Mário Mateus, José Borges Coelho, António Lourenço, António Saiote, José Ferreira Lobo, Bruno Martins, Manuel Sarrico, Michael Form, Jan Wierzba e Timothy Henty. Atualmente é aluno de mestrado de música da Universidade de Aveiro.


CORO DO DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO E ARTE DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO
O Coro do Departamento de Comunicação e Arte é composto pelos alunos da Licenciatura e do Mestrado em Música da Universidade de Aveiro.
Apresentou-se pela primeira vez em público no dia 14 de abril de 1998 e, desde então, participa regularmente nas atividades da Universidade e em concertos com a Orquestra Filarmonia das Beiras. Para além das atuações em Aveiro apresentou-se ainda em Águeda, Alcobaça, Estarreja, Figueira da Foz, Guarda, Ílhavo, Lousã, Matosinhos, Oliveira do Bairro, Ourém, Ovar, Viseu, Lisboa e Porto, onde tem interpretado importantes obras do repertório coral-sinfónico, entre as quais se incluem “Magnificat”, “Cantata BWV 147” e “Paixão S.S. Mateus” (J. S. Bach), “Sinfonia Nº 9” e “Fantasia Coral” (Beethoven), “L’Enfance du Christ” (Berlioz), “Te Deum” (Bruckner), "Messias" (Häendel), “As Estações” e “A Criação” (Joseph Haydn), “Missa da Coroação, K.317” e “Missa em Dó menor, KV. 427” (W. A. Mozart), “Die Erste Walpurgisnacht, Op. 60” e “Salmo 42. Op.42” (Mendelsshon), “Gloria” (Poulenc), “Stabat Mater” (Rossini), “Missa de Glória” (G. Puccini), “Requiem” (Fauré), “Requiem Alemão” (Brahms), “Oratória de Natal” (Camille Saint-Saëns), “Missa para Coro Misto e Duplo Quinteto de Sopros” (Stravinski), a “Sinfonia Nº 4” (Joly Braga-Santos), a “Paixão Segundo S. Mateus” (J. S. Bach), “Os Planetas” (Holst) e a “2ª Sinfonia” (Mahler).

ORQUESTRA DE CORDAS E DE SOPROS DO DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO E ARTE DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO
As Orquestras de Cordas e Sopros do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro são constituídas pelos alunos instrumentistas dos cursos de Licenciatura e Mestrados em Música, incluindo-se nos planos curriculares dos respetivos cursos. Instituídas em 2005 com o objetivo de oferecer aos alunos formação em contexto de prática de conjunto, abordam repertório específico para sopros e cordas, juntando-se em momentos específicos durante o ano letivo para abordar também o grande repertório orquestral sinfónico e coral-sinfónico. Colaboram regularmente com o Coro do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro e com a Orquestra Filarmonia das Beiras, tendo-se apresentado em atuações não só na região de Aveiro, como na Figueira da Foz, Vila Nova de Gaia, Ílhavo, Lagos, Lousã, Oliveira de Azeméis, Oliveira do Bairro, Peniche, Sever do Vouga e Porto. Desde 2008 participam anualmente nos Festivais de Outono de Aveiro, onde têm tido oportunidade de colaborar com solistas de craveira internacional, como Pedro Burmester, Paula Garcia del Valle e Elsa Silva (piano), Cristiana Oliveira, Maria Luísa de Freitas, Dora Rodrigues e Raquel Camarinha (canto), Nuno Soares, José Pereira e João Pedro Cunha (violino), Jutta Puchhammer-Sédillot, Alexandre Delgado e Pedro Meireles (viola), Marco Pereira (violoncelo), Joana Soares (oboé) ou Victor Pereira (clarinete).