20 ABR

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Moços do Coro & João Santos

Et Lux perpetua trata-se de um projecto que nos desafia a reflectir sobre a vida após a morte, no acreditar da ressurreição dos mortos, e na vida do mundo que há-de vir. Envolvidos pelo mistério Pascal, em que dedicamos este concerto àquela noite que brilha como o dia, e em que a escuridão é clara como a luz, iniciá-lo-emos com a estreia absoluta de Diptyque Mariale do compositor Leiriense João Santos (1979*). Escrita para coro e grande órgão sinfónico, esta obra, de uma virtuosidade sumptuosa, é desenvolvida em torno do hino Regina Ceali, uma oração Mariana que ao longo do tempo Pascal, nos recorda o papel maternal de Maria: Quia quem meruisti portare (porque mereceste trazer em vosso seio). Iniciada por um contrapontístico convite à alegria: Gaude et laetare (exultai e alegrai-vos), esta obra encerra com um triunfante e demorado Aleluia àquele que viria a quebrar as cadeias da morte, levantando-se vitorioso do túmulo. Segue-se uma obra de órgão solo cantabile, extraída das 3 Píèces pour le Grande Orgue do compositor francês, César Franck (1822-1890), assinalando desta forma o bicentenário do seu nascimento. A segunda parte deste concerto é dedicada a Maurice Duruflé (1902-1986) na comemoração dos 120 anos do seu nascimento. Executar-se-á o seu Requiem Ops. 9, uma missa pro defunctis que reflecte a maestria deste celebre compositor, unindo aqui duas linguagens musicais que, apesar de tão distantes no tempo, se vêm aqui confrontadas: a memória do canto gregoriano sob um tratamento polifónico, e a rica densidade harmónica, presente no discurso desenvolvido pelo grande órgão, tão característica do período do Romantismo tardio. Esta obra, traduz-se no ponto áurea entre a herança e a criação, o antes e depois, pois como nos diz Antoine-Laurent Lavoisier “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Data

20 de abril de 2022, 20:30:00

Local

Sé de Leiria

Entrada

Entrada Gratuita, sujeita à lotação da sala.

Programa

João Santos (1979*) - Diptyque Mariale
– Berceuse
– Louange

C. Franck (1822-1890) - 3 Pièces pour le Grand Orgue
II. Cantabile

M. Duruflé (1902-1986) - Requiem (op. 9)
I. Introït
II. Kyrie eleison
III. Domine Jesu Christe
IV. Sanctus et Benedictus
V. Pie Jesu
VI. Agnus Dei
VII. Lux æterna
VIII. Libera me
IX. In paradisum

Biografia

Moços do Coro
SOPRANOS: Carolina Andrade | Leonor Figueiredo | Paulina Sá Machado | Raquel Mendes
CONTALTOS: Ana dos Santos | Gabriela Braga-Simões | Maria Bustorff | Rute Simone Flores
TENORES: Almeno Gonçalves | Bernardo Pinhal | Fernando Guimarães | Paolo Davolio
Baixos: João Barros da Silva | Luís Rendas Pereira | Miguel Maduro-Dias | Tiago Daniel Mota
Mezzo-soprano solo: Ana dos Santos
Barítono solo: Luís Rendas Pereira

Grande Órgão: João Santos
Direcção: Nuno Miguel de Almeida

Sediado na cidade do Porto, o ensemble Moços do Coro assume, como principal missão artística, a defesa pelo Património Musical Português. Como testemunho desta intenção, desenvolve no ano de 2018 um projecto in􀀖tulado Da herança à criação, projecto que fez memória dos 400 anos da morte do crúzio D. Pedro de Cristo. Desta feita, através de um total de oito estreias modernas e absolutas, estabelece o diálogo constante entre a herança que nos fora deixada por tão saudoso compositor Renascentista, e a criação de quatro preclaros compositores portugueses nossos contemporâneos.
Nos projectos que desenvolve, este ensemble busca interligar o repertório a executar com o espaço onde actua, a instituição parceira, e a efeméride a que faz memória, criando uma narrativa única e coerente para cada iniciativa que idealiza. Participa em vários festivais, como o VII Ciclo de Requiem Coimbra, VI Ciclo de Concertos de Coimbra, e II Festival de Órgão de Santarém, onde apresenta o seu projecto ORACVLVM, interpretando as Prophetiæ Sibyllarum de Orlando di Lasso, com a participação do organista Jorge Garcia (Espanha). Por encomenda do Santuário de Fátima, desenvolve o projecto Jacinta, onde o repertório coral do século XX/XXI, que incluiu estreias absolutas, e textos declamados, fez o percurso da vida de Santa Jacinta Marto. No decurso do ano 2020, obteve o apoio da GDA, da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde e da Anglo-Portuguese Society para a gravação do CD Da herança à criação – Magnificat. Este projecto dá con􀀖nuidade à caminhada que o ensemble iniciou em 2018, tendo já sido publicadas as par􀀖turas através da AVA Editions. Ainda no ano 2021, integrou o Festival Internacional de Órgão e Música Sacra com o projecto Tecido em fios de ouro, e participou na ópera Mátria - uma ópera para o Douro, com libreto de Eduarda Freitas baseado na obra de Miguel Torga, composição de Fernando C. Lapa e encenação de Ángel Fragua.

Nuno Miguel de Almeida, natural da cidade do Porto, iniciou os seus estudos musicais com 4 anos de idade no Instituto Orff do Porto. No Conservatório de Música do Porto, estudou piano com Anne Marie Soares, estudando simultaneamente órgão com Luca Antoniotti.
Posteriormente, concluiu o Curso Complementar em Órgão Literatura e Improvisação/ Acompanhamento na classe de António Paulo Alvim e composição com Fernando Valente
e Fernando C. Lapa. Obteve o grau de Mestre em Ensino de Música na Universidade de Aveiro, sob orientação de Helena Caspurro com a dissertação «Tecendo harmonias para canções tradicionais Portuguesas», e o grau de Mestre em Performance de Direcção Coral, sob orientação de Vasco Negreiros, desenvolvendo o projecto «Da herança à criação – o Magnificat», publicado posteriormente pela editora AvA Musical Edi􀀖ons. Concluiu o V Curso Nacional de Música Litúrgica, na vertente de órgão, com António Esteireiro. Estudou com diversas personalidades, destacando Olivier Latry (Órgão Literatura), Martin Schemith (Direcção), Basílio Astures Duque (Direcção Coral Infantil), Luís António Gonzalez (Música Antiga), Cristina Raurich (Organettoo), entre outros. De 2016 a 2019, assumiu o papel de Maestro e Director Artistico do Coro Orfeão de Leiria e do Coro de Câmara do Orfeão de Leiria, com os quais produziu e dirigiu diversos projectos, destacando-se a estreia nacional de Ketevan Cantata de Vasco Negreiros.
Actualmente, exerce funções como formador do serviço educativo da Fundação Casa da Música (Porto) e é docente na Academia de Música de S. João da Madeira. É organista e Mestre Capela da Schola Cantorum Colegiada de Cedofeita (Porto). É Maestro Titular e fundador do ensemble Moços do Coro, com os quais integra diversos festivais e ciclos de Música, estreando inúmeras obras portuguesas contemporâneas, algumas a estes dedicadas, e ainda, edições modernas de repertório antigo transcritas pelo próprio. É Director Artístico da MdC - Moços do Coro - Associação Cultural, que tem como principal desígnio a defesa pelo Património Musical Português.

João Santos licenciou-se em Música Sacra na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa - Porto (2005). Organista premiado, contactou com diversos vultos de renome internacional e par􀀖cipou em vários concursos, nomeadamente em Alkmaar (2007), Freiberg (2009) e Innsbruck (2010). Apresenta-se regularmente como concertista, destacando-se a Catedral de Westminster, Catedral de Notre Dame de Paris, Orgelfestival Rhür (Alemanha), St. Christoph Summer Festival (Vilnius), entre outros. Foi solista com a Orquestra Clássica da Madeira e tem participações com a Orquestra Filarmonia das Beiras, Orquestra Clássica do Centro e Orquestra Sinfónica Portuguesa - Casa da Música.
João Santos é um compositor premiado nas áreas de orquestra de sopros, música coral e também na área do órgão, onde foi agraciado com dois primeiros prémios do concurso internacional de composição “Órgãos de Mafra”, em 2017 com a Categoria B (transcrição) e em 2019 com a Categoria A (obra original). Tem também assistido a publicações e estreias de obras suas, com encomendas para diversas instituições como o Festival do Estoril-Lisboa, bem como inúmeros pedidos na área da música litúrgica, onde se tem destacado principalmente nas vertentes de arranjo, orquestração e harmonização. Desta atividade, destaca-se a sua colaboração nas revistas Libellus Usualis e Salicus, sendo membro do conselho científico desta última. João Santos é pianista acompanhador do dueto de contratenores Encanto, com o qual se apresenta regularmente em digressões nacionais e internacionais. Dirige desde a sua fundação o Coro Carlos Seixas (Coimbra) e foi organista titular do Santuário de Fátima entre 2010 e 2018. Diretor artístico do Festival Internacional de Órgão de Santarém (FÓS). É organista titular da Catedral de Leiria desde 2007.