
Stabat Mater de Rossini
Coro e Orquestra do DeCA/Un. de Aveiro
Data
28 de março | 16:30
Classificação Etária
M/6
Local
Igreja dos Franciscanos, Leiria
Entrada
Entrada gratuita
Sinopse
Quando aos 37 de idade, depois de ter escrito mais de trinta óperas que alcançaram em muitos casos verdadeiros sucessos, atingiu o auge da sua fama com a estreia de Guilherme Tell e tudo levava a crer que a sua fulgurante carreira operística iria continuar, Rossini abandonou o teatro lírico e ficou praticamente afastado do movimento musical durante os 39 anos que ainda viveu.
Várias teorias se têm levantado na tentativa de esclarecer tão estranha atitude sem que, até hoje, se tivesse chegado a desvendar o mistério. A verdade é que, nestes quase 40 anos, Rossini apenas escreveu um punhado de obras, algumas com títulos irónicos ou mesmo maliciosos, como Pecados de Velhice, Valsa Lúgubre, Prelúdio Inofensivo ou Prelúdio Compulsivo em que o carácter da música está em contradição com estes títulos, e curiosamente as suas duas obras de inspiração religiosa mais importantes, a Petite Messe Solenelle e o Stabat Mater.
Esta obra, que surgiu de uma encomenda de um influente prelado de Madrid, Don Fernandez Varela, aproveitando uma viagem de Rossini àquela cidade em 1831, foi composta em duas fazes e teve mesmo duas estreias. Após recusa inicial, alegando que Pergolesi já tinha composto o perfeito Stabat Mater, Rossini terá, não sem relutância, aceite esta encomenda. Á sua decisão final não será alheia a influencia do banqueiro francês Alexandre Aguado, seu patrono e companheiro de viagem, que terá servido de mediador.
Não é certo que a composição desta obra se tenha iniciado ainda em Madrid mas é sabido que, no seu regresso a Paris, Rossini concluiu seis dos dez números inicialmente previstos (o N. 1 e os N.ºs 5 a 9 da versão atual) durante o inverno de 1832, tendo entregado a conclusão da obra ao seu amigo e ex-companheiro de estudos, o compositor bolonhês Giovani Tadolini. Esta versão da obra foi estreada em Madrid na Páscoa de 1833 e após uma única apresentação pública, parecia votada ao esquecimento. Após a morte de Varela, em 1837, o manuscrito foi vendido a um editor francês, o que chegou ao conhecimento de Rossini, que tratou de o recuperar e propor a um outro editor a publicação da versão revista e completa do Stabat Mater. Durante o verão e o outono de 1841 Rossini escreveu a sua versão dos N:ºs 2, 3 e 4 e acrescentou o conclusivo “Amen” final (N.º 10). A estreia desta versão definitiva deu-se nos princípios de 1842, tendo sido recebida com grande êxito e percorrido várias cidades da Europa com assinalável sucesso.
Tem-se dito com frequência que o Stabat Mater é mais uma ópera de Rossini. Não pode, em verdade, negar-se que esta obra saiu da pena de um compositor essencialmente operático e italiano, mas se é verdade que a melodia ocupa um papel predominante, e em particular alguns andamentos apresentam características líricas facilmente reconhecidas em árias ópera, e alguns momentos de maior dramatismo acusam um forte pendor teatral, também não é menos verdade que outros andamentos dificilmente teriam lugar numa ópera rossiniana, seja por razões de estrutura, orquestração, o uso do coro ou mesmo o tratamento melódico.
O primeiro número conduz-nos a um ambiente solene dentro de um estilo quase operático. A ária de tenor (‘Cujus animan’) apresenta uma notável riqueza melódica, muito próxima da ária de ópera, mas é importante notar que a orquestração, pela sua riqueza e detalhe, não é frequente na obra rossiniana. No dueto que se segue (‘Quis est homo’) e no número seguinte (‘Pro peccatis’) a importância da melodia ajudam, de alguma forma, a manter esta ideia de algum dramatismo teatral presente na obra, mas, a partir do N.º 5 todo o ambiente muda. Com o recitativo (‘Eia Mater’), a capella tal como o N.º 9 (Quando Corpus Morietur’), o sentimento de religiosidade fica bem presente e, nem o carácter melódico e dramático dos números 6, 7 e 8, apesar de bem diferenciado, nos faz sentir verdadeiramente do teatro de ópera. O número final é uma brilhante fuga que, no final, nos traz de volta o ambiente solene do início da obra.
Não se conhece o autor do poema original do Stabat Mater mas é tradicionalmente aceite que a sua autoria se deve a um monge Franciscano do séc. XIII.
Programa
Stabat Mater, Gioacchino Rossini (1792-1868)
Ficha Artística e Técnica
Coro e Orquestra do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro
Solistas a indicar
António Vassalo Lourenço, direção
Biografia
A Orquestra do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro é constituída pelos alunos instrumentistas dos cursos de Licenciatura e Mestrado em Música, e incluem-se nos planos curriculares dos respetivos cursos. Instituídas em 2005 com o objetivo de oferecer aos alunos formação em contexto de prática de conjunto, abordam repertório específico para sopros e cordas, juntando-se em momentos específicos durante o ano letivo para abordar também o grande repertório orquestral sinfónico e sinfónico. Colaboram regularmente com o Coro do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro e com a Orquestra Filarmonia das Beiras, tendo-se apresentado em importantes salas de concerto do país, como o CCB em Lisboa ou o Coliseu do Porto, e em alguns festivais de música nacionais. Para além das suas atuações na região de Aveiro, apresentou-se já noutras localidades do país (Batalha, Figueira da Foz, Gaia, Ílhavo, Lagos, Lisboa, Leiria, Lousã, Oliveira de Azeméis, Oliveira do Bairro, Peniche, Sever do Vouga, Porto e Viseu). São dirigidas regularmente pelos maestros Luís Carvalho, António Vassalo Lourenço André Granjo, André Fonseca, Roberto Valdez e Ernst Schelle assim como por outros maestros convidados nacionais e estrangeiros.
O Coro do Departamento de Comunicação e Arte é composto por alunos dos cursos de música (Licenciatura e Mestrados) da Universidade de Aveiro.
Apresentou-se pela primeira vez em público no dia 14 de abril de 1998 e, desde então, participa regularmente nas atividades da Universidade e em concertos com a Orquestra do DeCA/UA e com a Orquestra Filarmonia das Beiras. Para além das atuações regulares em Aveiro, apresentou-se ainda em diversas localidades, não só na região centro, mas também em importantes salas de concerto do país, como o Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian e o CCB em Lisboa, o Coliseu do Porto e o convento de São Francisco em Coimbra. Participou também em importantes festivais de música nacionais, com são o caso do Festival “Música em Leiria”, do Festival da Primavera (Viseu), do Festival Terras sem Sombra (Alentejo), do Lisbon Summer Choir Festival ou dos Festivais de música em Aveiro (Festival internacional de Música de Aveiro e Festivais de Verão) onde tem interpretado importantes obras do repertório coral-sinfónico, entre as quais se incluem “Magnificat", “Cantata BWV 147” e “Paixão S.S. Mateus” e Paixão S.S. João (J. S. Bach), “Sinfonia Nº 9” e “Fantasia Coral” (Beethoven), “L’Enfance du Christ” (Berlioz), “Te Deum” (Bruckner), "Messias" (Häendel), “As Estações” e “A Criação” (Joseph Haydn), "Missa da Coroação, K.317" e “Missa em Dó menor, KV. 427” (W. A. Mozart), “Die Erste Walpurgisnacht, Op. 60” e “Salmo 42. Op.42” (Mendelsshon), “Gloria” (Poulenc), "Stabat Mater" (Rossini), “Missa de Glória” (G. Puccini), “Oratória de Natal” (Camille Saint-Saëns), "Missa para Coro Misto e Duplo Quinteto de Sopros" (Stravinski), “Sinfonia Nº 4” (Joly Braga-Santos), Carmina Burana (Orff), os “Requiem" de Fauré e de Verdi e o "Requiem Alemão" de Brahms.
Em Abril de 2019 participou no Concerto de Abertura dos Dias da Música no CCB, onde interpretou obras de Berlioz com a Orquestra Metropolitana de Lisboa.
António Vassalo Lourenço concluiu o Doutoramento (DMA em Conducting, Orchestral Emphasis) em 2005 pela University of Cincinnati e o Mestrado (Master in Music em Direção de Coro e de Orquestra) em 1996 na mesma Universidade, onde também leccionou como Assistente. É Professor Associado, responsável pelas classes de Direção, Coro e Orquestra, e Diretor da Licenciatura em Música na Universidade de Aveiro e menbro do INET-md. Foi Diretor Artístico da Orquestra Filarmonia das Beiras, entre 1999 e 2023, e foi ainda Diretor Artístico e Maestro Titular do Coro Regina Coeli entre 1983 e 2008. No trabalho desenvolvido com estes grupos deu particular atenção à música portuguesa, tendo realizado diversas estreias, primeiras audições modernas e gravações de obras de compositores portugueses, e ao repertório operístico, incluindo óperas infantis ou em portuguesas ou outras com versões em português. Atualmente é Maestro Adjunto da Orquestra Sinfonietta de Lisboa de quem foi co-fundador em 1995. Na Universidade de Cincinnati estudou Orquestração com Samuel Adler, Direção de Coro com Elmar Thomas, Earl Rivers e John Leman e Direção de Orquestra com o Maestro e Compositor Gerhard Samuel e ainda com Christopher Zimmerman, de quem foi Assistente de Direção. A sua formação e atividade musicais iniciaram-se aos 8 anos na Fundação Calouste Gulbenkian onde estudou violino e fez parte do Coro Infantil. Estudou Canto na Academia dos Amadores de Música com a professora Maria Amélia Abreu tendo concluído em 1990 o Curso Superior no Conservatório Nacional de Lisboa na classe da professora Filomena Amaro. Cantou em diversos grupos profissionais entre os quais o Coro Gulbenkian, entre 1982 e 1993, e dirigiu diversos coros em Portugal. A sua carreira como Maestro iniciou-se no Coro Regina Coeli tendo obtido com este grupo prémios em concursos internacionais. Frequentou cursos de Direção Coral em Portugal, Espanha, França e Bélgica, onde trabalhou com Manuel Cabero, Josep Prats (Barcelona), Erwin List (Strasbourg), Hélène Guy (Lyon), Edgar Saramago, Fernando Eldoro (Lisboa), Paul Brandevick (Boston), Johan Duijck (Gent) e Laszlo Héltay (Londres) e realizou também estudos de Direção de Orquestra, desde 1990, em Portugal, Espanha e França com Octave Calleya (Roménia), Jeno Rehah (Hungria), Ernst Schelle (Alemanha) e Jean-Sébastien Béreau (Paris). Foi aluno da classe de Direção da Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a orientação de Jean-Marc Burfin. Foi fundador e Maestro Adjunto da Orquestra da Juventude Musical Portuguesa e Assistente de Direção da Concert Orchestra de Cincinnati. Como maestro convidado dirigiu diversas orquestras e coros em Portugal, Espanha, França, Colômbia e nos Estados Unidos da América. Desde 1987 tem participado, como monitor, em diversos Cursos de Direção Coral, é Diretor Pedagógico do Curso Internacional de Música Vocal (CIMV: Direção Coral, Canto e Ópera) e tem sido Diretor Musical de peças teatrais. Foi Diretor Artístico do Festival Internacional de Música de Aveiro entre 2000 e 2004 e desempenhou o cargo de Coordenador Artístico da Orquestra Sinfónica Portuguesa e do Coro do Teatro Nacional de S. Carlos entre 2002 e 2003 e é, desde 2015, Diretor Artístico do Festival Música em Leiria. Em 2006 criou o Estúdio de Ópera de Centro, projeto que tem desenvolvido importante atividade formativa e tem realizado por todo o país produções de ópera que incluem, para além da apresentação de importantes óperas de repertório, produções em português, ópera portuguesa e ópera para crianças
