No ano em que se comemoram os 80 anos do Orfeão de Leiria, a programação da 44ª edição do Festival «Música em Leiria», preservando a sua matriz de festival de música clássica, mantém a sua filosofia programática que conjuga tradição, inovação e inclusão, onde estão incluídos o Jazz e outros géneros musicais, assim como outras artes, nomeadamente a dança, e procura dar especial destaque a artistas e projetos artísticos que, de alguma forma, estejam ligados ao Orfeão, à cidade e à região, sejam atuais e ex-alunos da escola de música, professores ou outros músicos que passaram pelo Orfeão (Eduardo Cardinho, Paulo Bernardino, a Orquestra de Sopros de Leiria e outros agrupamentos do Orfeão, como a Big Band, a Camerata, o Coro Juvenil e Coro do Orfeão de Leiria, e ainda, na área da Dança, os projetos Cápsula e CRIA).
Mantendo assim uma programação eclética que promove uma atitude inclusiva no que respeita à observação das diversas tipologias musicais e encoraja um diálogo efetivo entre os diferentes géneros, o Festival «Música em Leiria» e a sua programação “À Margem” (onde se inclui o “4º Ciclo de Órgão de Leiria”) apresentam uma diversidade de propostas que vão desde a música antiga, com forte pendor na investigação do património musical português (“Arte Mínima”), importantes obras do período Barroco (“Altos do Bairro”, “Do Medieval ao Séc. XVII” com Daniel Oliveira e o Coro da Academia de Santa Cecília), do Classicismo e do Romantismo (Projeto Schubert/Ahora Quintet, Orquestra XXI, Coro e Orquestra da Universidade de Aveiro, Orquestra Filarmonia das Beiras), assim como obras do séc. XX e XXI (“Requiem for the Living”; “Canções Pagãs”), incluindo a estreia de novas composições (“PANGEA”; “CROMLCH”). A presença da música portuguesa, para além dos projetos atrás referidos, é ainda reforçada pelos recitais de flauta (Maria Camponês e Diana Botelho Vieira) e de piano (Marta Menezes), e ainda nos concertos dedicados ao Jazz.
A programação do Festival continua assim a trazer à região de Leiria artistas e projetos artísticos de relevo no panorama nacional (para além dos já atrás referidos, há destacar Carlos Guilherme, Eva Braga Simões, Manuela Moniz, Nuno Dias e Figueiredo, Raúl Peixoto da Costa, Miguel Jalôto, os organistas António Mota, Sérgio Silva, João Santos e Ricardo Tosto, os maestros Dinis Sousa e Jan Wierzba, Maria João e Carlos Bica, Desidério Lázaro, Eduardo Cardinho, Paulo Perfeito e a Orquestra de Jazz de Espinho), complementada com a presença de artistas internacionais (Les DéSAXéS, Abraham Cupeiro, Ilária Centorrino, Justin Stanton, Seamus Blake e Hermon Mehari), criando ainda espaço para a presença de projetos formativos (os agrupamentos da Escola de Música do Orfeão de Leiria, o Coro e Orquestra da Universidade de Aveiro) e para a divulgação de jovens talentos nacionais (o oboísta Pedro, vencedor do Prémio Jovens Músicos 2024).
Entre as propostas que reforçam a dimensão inovadora e inclusiva do Festival, destaca-se “Resistir para Existir”. Esta criação investiga e recria manifestações artísticas ligadas à libertação do colonialismo e do fascismo, propondo uma releitura contemporânea desse património comum. Conta com convidados como Selma Uamusse, Radja Ally e artistas de Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor.
Igualmente relevante é a estreia de “Horizonte Colorido”, concerto didático que conjuga música, narração e sensibilização ambiental. Com composição de Mário Nascimento e texto de Ana Sofia Ribeiro, esta obra promove reflexão sobre biodiversidade, alterações climáticas e responsabilidade individual, numa experiência artística envolvente e educativa.
A dispersão dos locais dos concertos, dentro e fora de Leiria, para além de procurar chegar a um público mais alargado, contribui para a valorização das infraestruturas culturais e do património histórico existente na região. Esta estratégia reforça a ligação do Festival ao território, promovendo a fruição artística em espaços emblemáticos e diversificados.
Em 2026, mantém-se a programação em vários concelhos da Região de Leiria, com concertos Leiria, Batalha, Marinha Grande, Porto de Mós, Pombal, Fátima, Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, consolidando a sua dimensão regional e inclusiva.
António Vassalo Lourenço
Janeiro 2026

































































